sábado, dezembro 23, 2006
O dia em que nevou no mar
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Onde?
Quiçá (Ferida Aberta Noutro Peito)
E o que sempre é riso, chore. Foi sol, é água, é terra.
Foi fogo, é neve, é feliz. Talvez a raiva arda
Talvez a saudade enjoe
Talvez a fuga incandescente não sirva
Ou talvez não.
Talvez um beijo inconsciente nos cure, ao de longe.
Talvez alguém nos dê a mão.
Ou talvez outrem nos roube o que é sagrado.
Foi sagrado, é templo, é tempo. Porque a cabeça abana condolente
sempre, foi assim
(o vento é pária, é nossa sina!)
Mas não quando a brisa roça perto.
Aí, cola-se a nós O Fim. Talvez.
Ou talvez não. Não sei.
Quero acreditar em algo maior.
Quero acreditar na transformação.
E o que era Vida, ultrapassa-a.
E o que era caminho, torna-se perfeição.
E o que era Amor, engrandece-o.
O que era Esperança, é Salvação. Talvez.
Ou talvez não. Fibonacci
terça-feira, dezembro 19, 2006
Uma última batalha
O mar engoliu o barco, cego e feio.
A terra caiu sobre o Homem.
O cavalo pisou o guerreiro. As ondas que batiam cansaram-se
Da areia sovada que se calou.
A lança caiu estridente marcando
O chão, a raiz que urrou.
Num grito sem gravidade, celestial,
As cabeças unânimes levantaram
A voz ao céu (e os entes que lá dormem, brilharam!)
Na luz partida do orvalho,
Numa via sacra final.
A alma sobrevoou o corpo
Despedindo-se num beijo demorado.
E o tempo, esse tempo, riu-se, afinal
São só os nossos pedaços o pecado.
Porque viver por ti é mais que viver
E morrer por ti é nascer
outra vez
Eu vi
A terra absolver
O Homem.
O Homem que já nem Homem é.
É mistério.
É melhor.
É fé. Fibonacci
domingo, dezembro 17, 2006
A tree called life
Porque às vezes "perco um continente", perco uma ilha e "uma chave" e a maravilha cai estridente no chão. E do pó se levanta a voz que todos conhecem e ninguém reconheceu.
Porque às vezes me apercebo, e deviam ser mais os dias, que não me expresso tão bem como isso.
by E. E. Cummings
I carry your heart with me (I carry it in
my heart) I am never without it (anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
I fear
no fate (for you are my fate,my sweet) I want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
Here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
I carry your heart (I carry it in my heart)
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Sempre, corria sempre
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De Atenas até Esparta, de Esparta até Maratona. Ainda não sabia bem porquê. Esperava no seu mais profundo pensamento que a mensagem que trazia animasse as tropas por apenas mais um bocado. Que aguentassem, os espartanos vinham a caminho!
Filípides via tudo como um filme, como se já tivesse passado há muitos, muitos anos. Como se isso fosse possível! E corria. Sempre, corria sempre.
E expirou.
Olhei rapidamente para trás. Mas não consegui ouvir mais que um ruído rouco.
Fibonacci
sábado, dezembro 09, 2006
Rainha de Copas
Excertos de "No Buses", Arctic Monkeys
terça-feira, dezembro 05, 2006
In a manner of speaking
Poder de síntese
Quem? Eu?
Não mais de uma palavra.
Palavra e meia.
E nem mais um grito, talvez um olhar.
Palavra e meio olhar e estamos combinados.
Para mim?
Para mim.
domingo, dezembro 03, 2006
Tenho-te saudades
domingo, novembro 26, 2006
Parêntesis (Paraíso)
«Sinto quente. Muito quente. Estranho calor emana do paraíso, julguei que as chamas alastrassem lá por baixo, mas ao que vejo não. Ou melhor, sim. O calor emana é de mim. E esta claridade escura-me e vejo as minhas palmas azuis, tão frias. Frias não, pouco quentes. Complementaridade de bases. Desvarios absolutos e genéticos. Quente, frio, que é isso do morno! O frio tem o poder do calor. Do teu calor. Do teu calor que me assombra e arrepia. Porque quando tu me pegaste, como folha, folha papel, folha árvore a cair, como folha rasgada tu pegaste em mim e eu perdi-me, espinha abaixo. Imagino imagens sem nexo e coerência lógica. Tão reais, mesmo assim. Passou, foi um sonho real que nem me apercebi. Paraíso. Calor. O Teu. Frio meu, desvario em febre. Pegaste em mim e pegaste-me a febre que não tinhas. Sinto quente. Muito quente. É o paraíso. Não, é a febre.»
de um diário que só li porque estava aberto
Desafio
O Amor não serve para nada.
O Amor escreve-se com letra maiúscula por pura vaidade dos
Românticos que se perdem na Palavra que também leva maiúscula porque,
na Verdade,
não existe.
O Mundo não foi pensado para levar com
Aquele Amor à mistura.
Gosta mais do Amor fácil dos doces Olhos amargos bem
Cerrados.
E falangetas bem abertas.
Aquele Amor nunca serviu para nada.
Só estragou Vidas e construiu Verbos.
Desperdício!
Dão a Vida por Palavras que agora, ao olhar para
Mim
Se calam.
Riem-se.
Berram, histéricas.
Calem-se, ridículas!
Não vêem?
É tão bom o amor assim.
Eu não preciso de vocês, nem das letras grandes,
Nem das grandes letras,
Nem dos gritinhos extasiantes. Eu danço.
E ele gosta.
Isso é amor.
Com letras pequeninas.
Porque fora da nossa alma
Porque o esboço do espírito
Porque o canto do mudo mundo
Porque o amor não gosta que o vejam
Porque quer que o sintam.»
sexta-feira, novembro 24, 2006
No fundo de um de nós.
domingo, novembro 19, 2006
Rituais

Vila Viçosa, 16 de Fevereiro de 1999
terça-feira, novembro 14, 2006
Porque
Porque era ela
Porque era eu»
Foste tu que lhe faltaste ali
no sítio onde estava
Foste tu quem lhe lembrou a música
que o outro tocava
Foi o teu vôo que ele contemplou
a luz d'oiro do sol
que à meia-noite aparecia.
Lua redonda, sol de dia.
Uivam os lobos à lua cheia
Pé de meia p'rós ovos na mesa
E uiva ele à menina
que de merdinha enche os seus olhos.
Abrindo-os e fechando-os
num ritmo desacelarado e brutal
Que acorde aquele tal
que adormeça
onde é que isso lhe interessa?
Ciúmes à porta rangem.
Palavras à porta ficam.
A culpa foi toda do beijo!
Pelo que vejo do prazer
não é no fim
assim
tão fácil. - Mea culpa.
- Desculpas aceites.
- Mas que bonito o amor andará! Tens razão... Mais nada de mim sairá.
Fibonacci
Letra inicial da música
"Porque era ela, porque era eu"
de Chico Buarque
domingo, novembro 12, 2006
Maria
Quando pára o samba
E diz que é sem compromisso
é bom acabar com isso
Não sou nenhum Pai João
Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de louca
Pra não haver bate-boca
Dentro do salão Quando toca o samba
Eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: Não
Eu agora tenho par
E sai dançando com ele
Alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis»
Música de Chico Buarque, «Sem compromisso»
quarta-feira, novembro 08, 2006
Ode ao Narcisismo que Apetece e ao Amor Puro
Mas ele gosta de mim
Ele não tem qualquer encanto
Tirando o facto de gostar de mim
Eu sei quem ele é quando tenta ser secreto
Só porque gosta de mim
Mas ele não me tira do sério
Excepto quando me diz que gosta de mim
E eu nem gosto dele
Mas ele gosta de mim»
Sim! Tu que também gostas de mim
Não me dás a consolação de gostar
De te ver a contemplar e me sentir admirado
(Admirável Mundo Novo)
Algo nunca falado...
Mas isso eu sempre falei!
De que importa de quem gostei?
Ou de quem me olha assim?
Tu sabes, sempre soubeste,
Que és a metade de mim.
És tu o meu ego exacerbado
Num único espírito,
O meu único Fado.

sábado, novembro 04, 2006
Chocolat
Fora de mim sem me queimar.
Vejo a liberdade a correr, pela janela(ou será só o vento?)
Essa liberdade maluca mete-me inveja.
Quem dera pudesse ser assim
não ligar a quem fala por mim
fazer ouvidos moucos
aos sussurros roucos que perturbam
aquele que eu imaginei perfeito.
Mas perfeito não
Perfeito é a solidão
Porque a solidão não tem tempo
nem espaço, nem outras pessoas
a solidão não tem vergonha
a solidão anda nua pela rua
a solidão diz que vale a pena sonhar
a solidão canta enquanto foge do luar
a solidão desenha cidades a lápis.
E a única consolação que lhe sobra
à pobre da solidão
é a saudade.
E a liberdade.
(Aquele vento sem eira nem beira)
Claro que a solidão sozinha
é frio, chocolate quente.
Posto isto, perfeito
perfeitamente
Não vens comigo?
Fibonacci